quinta-feira, 31 de janeiro de 2013






Do Bosque ao Deserto.

Ao passo de que tudo um dia foi flores...  E hoje habita um descampado.
Fico pensando que campos verdejantes deveriam sempre renascer após um longo período de estiagem.  
Nem sempre se concretiza a regra. Haja vista, esta mesma regra em campos cardíacos podem desertificar.
Nem mesmo a melhor semente, germina em meio a areia seca.
Tive a graça de desfrutar de bosques pacíficos. Onde nenhum mal se sucedia. O bosque aos poucos maculou-se pela sombra tênue da maldade velada.
Cada arvore, que antes verdeja a paz e a confiança, aos poucos foram mostrando seus espinhos.
A grama secou, os rios do sossego mudaram seu curso, e o que antes era belo, hoje nada sobrou.
Findou-se o bosque e floresceu um deserto.
E um vão tão grande entre nós, que mesmo no toque das mãos e no calor do corpo em um abraço, há um desfiladeiro enorme. Onde as pontes só se alcançam se quiserem.
Tive medo por muitas vezes de ver belos campos transformados em vastos desertos.
Mas o verdadeiro semeador, ao ver seu campo morrer. Cruza-o a pé revendo cada bela arvore morta e ressequida. E busca novas Terras para semear suas sementes.
Como alguém que entende de Terra eu digo!
Não existe deserto escaldante que não renasça se regado com algumas gotas de esperança, confiança, fraternidade, amor. E claro, novo adubo.
Não se abandona uma Terra porque dela não nasce mais nada. Apenas, dá-se tempo para que se recomponha e possa abrigar algo mais frondoso.
Calmarias muito prolongadas nos faz perder o vento das oportunidades...
Porém, excessos estaguinam por envenenamento.
Meu coração é terreno fértil, e eu aprendi a não olhar pequeno pra ele.
Nilson Ferreira.
31/01/2013