Do Bosque ao Deserto.
Ao passo de que tudo um dia foi flores...
E hoje habita um descampado.
Fico pensando que campos
verdejantes deveriam sempre renascer após um longo período de estiagem.
Nem sempre se concretiza a regra.
Haja vista, esta mesma regra em campos cardíacos podem desertificar.
Nem mesmo a melhor semente, germina
em meio a areia seca.
Tive a graça de desfrutar de
bosques pacíficos. Onde nenhum mal se sucedia. O bosque aos poucos maculou-se
pela sombra tênue da maldade velada.
Cada arvore, que antes verdeja a
paz e a confiança, aos poucos foram mostrando seus espinhos.
A grama secou, os rios do sossego
mudaram seu curso, e o que antes era belo, hoje nada sobrou.
Findou-se o bosque e floresceu um
deserto.
E um vão tão grande entre nós,
que mesmo no toque das mãos e no calor do corpo em um abraço, há um
desfiladeiro enorme. Onde as pontes só se alcançam se quiserem.
Tive medo por muitas vezes de ver
belos campos transformados em vastos desertos.
Mas o verdadeiro semeador, ao ver
seu campo morrer. Cruza-o a pé revendo cada bela arvore morta e ressequida. E busca
novas Terras para semear suas sementes.
Como alguém que entende de Terra
eu digo!
Não existe deserto escaldante que
não renasça se regado com algumas gotas de esperança, confiança, fraternidade,
amor. E claro, novo adubo.
Não se abandona uma Terra porque
dela não nasce mais nada. Apenas, dá-se tempo para que se recomponha e possa
abrigar algo mais frondoso.
Calmarias muito prolongadas nos
faz perder o vento das oportunidades...
Porém, excessos estaguinam por
envenenamento.
Meu coração é terreno fértil, e
eu aprendi a não olhar pequeno pra ele.
Nilson Ferreira.
31/01/2013


